E o que é o amor senão a maneira mais prática de nos tornarmos bobos? De sorrir onde não há graça, de achar a vida bela e de esconder todos os sofrimentos preponderantes. E o que é o amor senão a forma mais rápida de nos fazer esquecer nossos medos? De nos fazer mergulhar de cara em qualquer dificuldade, derrubar muralhas e correr atrás do que se almeja. Mas não posso lhes dizer o que é o amor puramente. Não acho que ele tenha uma definição certa. Só podemos sentir seus sintomas. Ver seus efeitos. Senti-lo nos aquecer vagarosamente. Senti-lo nos fazer bem. Ou mal. Quem sabe ele possa até nos confundir. Nos distanciar de todas as antigas certezas e transformá-las em meras possibilidades. E por mais difícil que seja, por mais distante que se mostre, há sempre aquela esperança que tudo, dessa vez, poderá valer por todas as outras vezes. Que essa será A chance, aquela única na vida. Talvez o amor seja o maior dos sentimentos. Isso porque ele é o único capaz de nos elevar ao maior dos paraísos ou de nos submeter ao mais baixo dos precipícios. Mas pouco importa suas consequências. Em certos instantes, senti-lo se propagar dentro de nós é o que basta. E só.
